Pular para o conteúdo principal

O QUE OS PRESBITERIANOS PENSAM SOBRE QUESTÕES SOCIAIS?

Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras” (Efésios 2:10 – NVI)

Não somos indiferentes diante de questões sociais. Somos chamados para fazer diferença na sociedade.

Como cristãos presbiterianos, temos nossa fé e prática fundamentadas na Palavra de Deus, conforme expressam nossos documentos confessionais: Confissão e Catecismos de Westminster.

A família presbiteriana, herdeira da reforma em João Calvino e John Knox, possui uma rica teologia social.

1. Uma boa teologia social é fruto da justificação pela fé
Como presbiterianos cremos na justificação pela fé somente. Entretanto, conforme a Confissão de Westminster “A fé [...] contudo não está sozinha na pessoa justificada, mas sempre anda acompanhada de todas as outras graças salvadoras; não é uma fé morta, mas obra por amor” (CFW, X.II).

2. Cuidar uns dos outros é obrigação do cristão
Como cristãos presbiterianos somos chamados à comunhão da igreja. Segundo a Confissão, “Os santos são, pela sua profissão, obrigados [...] socorrer uns aos outros em coisas materiais, segundo as suas respectivas necessidades e meios” (CFW, XXVI.II).

3. Lutar pela preservação da vida e justiça social
Como cristãos presbiterianos somos ensinados em nosso Catecismo Maior de Westminster a dedicar-se com “todo empenho cuidadoso e todos os esforços legítimos para a preservação de nossa vida e a de outros [...] dando bem por mal, confortando e socorrendo os aflitos, e protegendo e defendendo o inocente” (CMW, p.135).

4. Cobrar junto ao estado políticas públicas sociais
Como cristãos presbiterianos temos a obrigação de cumprir com nosso papel de bons cidadãos, exercendo direitos e deveres. De acordo com a Confissão de Westminster “é dever dos magistrados civis proteger a pessoa e o bom nome de cada um dos seus jurisdicionados, de modo que a ninguém seja permitido, sob pretexto de religião ou de incredulidade, ofender, perseguir, maltratar ou injuriar qualquer outra pessoa” (CFW, XXIII.III).


Cidadão presbiteriano, ore pelas autoridades constituídas, pratique a ação social e cobre o estado para a que justiça seja estabelecida.

Pense nisso.

Att, Rev. Luciano A. Betim

REFERÊNCIAS

SÍMBOLOS de Fé: Contendo a Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve de Westminster. São Paulo: Cultura Cristã, 2014.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O QUE CALVINO PENSAVA SOBRE OS CARISMAS (DONS) DO ESPÍRITO?

“ Irmãos, quanto aos dons espirituais, não quero que vocês sejam ignorantes .” (1 Coríntios 12:1 – NVI). Sobre a questão dos carismas, ou seja, os dons, um dos maiores pastores e teólogos Presbiteriano, doutor R. C. Sproul, escreve: “A questão do falar em línguas certamente não foi ignorada pelos grandes santos [...] Lutero e Calvino falavam favoravelmente sobre o dom, embora pareçam tê-lo ligado à pregação missionária [...]” (SPROUL, 2013, p.141). Mas o que diz o próprio reformador João Calvino sobre os dons e sua continuidade ou cessação dos dons extraordinários? Pontuamos algumas coisas. 1. Comentando sobre 1 Co 13, Calvino entende que os dons cessarão de "fato e final" na parúsia: "Mas quando tal perfeição virá? Em verdade, ela começa na morte, quando nos despimos das inúmeras fraquezas juntamente com o corpo; ela, porém não será plenamente estabelecida, até que chegue o dia do juízo final, como logo veremos. Portanto, desse fato concluímos que ...

CESSACIONISMO E CONTINUÍSMO: PERSPECTIVAS SOBRE DONS ESPIRITUAIS

Sobre os carismas do Espírito Santo, gostaria de compartilhar com vocês alguns dos livros que utilizei na dissertação de mestrado. Procurei trabalhar com material reformado, seja ele confessional ou não. É sempre bom termos em mente que o “cessacionismo” não negar a atuação de Deus no meio do seu povo. As vezes ele age até mesmo de modo extraordinário. Por isso no meio acadêmico se fala em “cessacionismo moderado”. Por outro lado, continuísmo não é o mesmo que pentecostalismo. Não significa, porém, que os dons atuam no mesmo nível dos apóstolos e profetas. Os dons revelacionais cessaram, por isso também no meio acadêmico se fala de “continuísmo moderado”. Enfim, seguem alguns livros interessantes. E depois da leitura, muito amor uns pelos outros, independente da corrente adotada. AUTORES CESSACIONISTAS CHANTRY, Walter. J. Sinais dos Apóstolos: Observações sobre o pentecostalismo – antigo e moderno. São Paulo: PES, 1996. FERGUNSON, Sinclair. O Espirito Santo. R...

O QUE CALVINO PENSAVA SOBRE O MILÊNIO?

O foco da reforma repousou sobre temas relacionados com a justificação pela fé. Mesmo assim é possível delinear alguns pontos sobre o pensamento de Calvino sobre o milênio. 1. Calvino rejeitou o conceito um futuro milênio literal "Deixo de considerar o fato de que já no tempo de Paulo Satanás começou a pervertê-la; mas, pouco depois, seguiram-se os quiliastas, que limitaram o reinado de Cristo a mil anos. [...] Aqueles que prescrevem aos filhos de Deus mil anos para usufruírem a herança da vida futura, não se apercebem de quão afronta lançam tanto a Cristo quanto a seu reino”. [1] Ao comentar o texto de 1 Tessalonicenses 4.17, ele escreve: “a vida dos fiéis, quando uma vez foram reunidos em um reino, não terá mais fim do que a de Cristo [...] atribuir a Cristo mil anos, de modo que depois ele cessaria de reinar, seria terrível demais para se mencionar [...] caem neste absurdo aqueles que limitam a vida dos fiéis a mil anos, pois eles devem viver com Cristo enquanto ...