Por continuísmo moderado se entende aquele posicionamento
sobre a soberania de Deus em retirar e conceder os dons de acordo com sua
vontade. Vejamos alguns aspectos desse movimento em relação ao batismo no
Espírito.
1. Batismo no Espírito Santo ocorre na conversão /
regeneração
Wayne Grudem, talvez o mais conhecido teólogo reformado desse
movimento, escreve: “Batismo no Espírito Santo, portanto, deve se referir à
atividade do Espírito no início da vida cristã quando ele nos dá nova vida
espiritual”.[1]
Trata-se da obra do Espírito no momento de inserção do salvo
no corpo de Cristo, e não uma segunda benção.
2. Falar em línguas não é evidência do batismo no Espírito
Santo
Nas palavras de Sam Storms, falar em línguas “não é um sinal
de maior maturidade [...] não é um sinal de maior zelo [...] não é um sinal de
que a pessoa tem mais do Espírito Santo que as outras [...] as línguas não são
um sinal de coisa alguma”.[2]
Aqui, o continuísmo moderado entra em choque com o
pensamento pentecostal clássico, o qual exige o falar em línguas como
evidência.
3. Embora o batismo no Espírito ocorra na conversão, o
cristão deve buscar o enchimento / plenitude do Espírito
O maior exegeta reformado deste século, D. A. Carson,
escreve: “Apesar de não encontrar apoio bíblico para a teologia da segunda
bênção [batismo no Espírito], encontro apoio para uma teologia da segunda,
terceira, quarta ou quinta bênção [...]. Embora eu ache extremamente perigoso
buscar uma segunda bênção que seja atestada pelo falar em línguas, também acho
que não anelar profundamente por Deus seja algo tão perigoso quanto isso
[...]”.[3]
Ou seja, ser batizado no Espírito na conversão não significa
que não haja “mais do Espírito” para o povo de Deus. Devemos buscar a plenitude
do Espírito, conforme ensino de Paulo e Efésios 5.18.
Pense nisso.
Att, Rev. Luciano Azambuja Betim
[1]
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática: exaustiva e atual. São Paulo: Vida Nova,
1999, p.639.
[2]
STORMS, Sam. Dons espirituais: uma introdução bíblica, teológica e pastoral.
São Paulo: Vida Nova, 2016, p.143.
[3]
CARSON, D. A. A manifestação do Espírito: A contemporaneidade dos dons à luz de
1Coríntios 12 -14. São Paulo: Vida nova, 2013, p.162.

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