Que no NT mostra uma pluralidade de presbíteros na igreja local fica
claro em textos como Atos 14.22; 20.17; Filipenses 1.1; Tito 1.5 e Tiago 5. 14.
Recentemente nossos irmãos batistas estão aderindo ao sistema de governo
presbiteriano nas igrejas locais. Que fique claro: apenas em nível congregacional
e nem todas as igrejas dessa denominação seguem essa tendência.
Wayne Grudem, talvez o maior teólogo batista da atualidade, pergunta se há
alguma forma de governo que eclesiástico que preserve a ideia de pluralidade de
presbíteros na igreja local. Ele responde que sim:
“Nesse sistema de governo, há sempre
mais de um presbítero [...] em uma congregação moderna, o pastor seria um dos
presbíteros nesse sistema [...] Ele não tem autoridade sobre eles nem trabalha
para eles como empregado [...] se ocupa em tempo integral na “pregação e
ensino”.[1]
Outro autor batista, observa que essa pluralidade de presbíteros na
comunidade local não se trata de ideia humana, mas é projeto do próprio Deus em sua
sabedoria. [2] Após
olhar para os dados apontados pelo Novo Testamento, o mesmo autor destaca, ainda, o valor desse modelo para um pastorado eficaz na congregação:
Consegue enxergar o padrão?
Repetidamente encontra-se presbíteros (plural) em cada igreja local (singular).
Cada congregação tinha seu próprio grupo pastoral. É uma observação elementar,
mas que faz toda diferença quando posta em prática. A pluralidade de
presbíteros é muito significativa para o pastorado sustentável.[3]
Jeremie Rinne, pastor titular da South Shore Batist Church, em Hingham,
Massachustes, compartilha uma curiosa experiencia, sobre como sua congregação [batista] abraçou os sistema presbiteriano:
Há uns trinta anos, a igreja batista na
qual eu servia, chamou um ministro presbiteriano para ser o pastor sênior. Ele
era um expositor bíblico muito capacitado que atraiu multidões e influenciou a
vida de muitas pessoas com o evangelho. Mas ele fez algo que continuou
abençoando nossa igreja anos depois de sua partida: ele levou nossa congregação
a adotar o modelo de governo de presbíteros.[4]
Mas não pense que isso tem ocorrido apenas por
influência externa, “presbiteriana”. Se perguntarmos se seria essa tendência uma
novidade entre os batistas, a resposta apontaria para um “não”. Mark Dever, da Capitol Hill Baptist Church, em Washington
aponta que os primeiros batistas americanos admitiam a pluralidade de presbíteros na comunidade
local:
Presbíteros podiam ser encontrados nas
igrejas batistas dos Estados Unidos em todo século XVIII até o século XIX. O
primeiro presidente da Convenção Batista do Sul, W. B. Johnson, escreveu um
livro sobre a vida eclesiástica em que ele defende a ideia de uma pluralidade
de Presbíteros na igreja local. De algum modo, essa prática - que nunca foi
universal – caiu em desuso em quase totalmente entre os batistas.[5]
Que Deus continue abençoando nossos
irmãos batistas. Sabemos que o modelo de governo da igreja local é uma questão
secundária. Entretanto, se igrejas locais na comunidade batista têm entendido o
valor e a benção da pluralidade de presbíteros, que seja isso para a glória de
Deus e crescimento do seu reino.
Att, Rev.
Luciano A. Betim
[1] GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática: exaustiva e atual. São
Paulo: Vida Nova, 1999, p.783.
[2] RINNE, Jeramie. Presbíteros: Pastoreando o povo de Deus como
Jesus. São Paulo: Vida Nova, 2016, p.99.
[3] RINNE, 2016, p.100.
[4] RINNE, 2016, p.46.
[5] DEVER, Mark. Nove marcas de uma igreja saudável. São
José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2016, p.253.
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